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JEC

Elton Carvalho: “O trabalho no JEC está longe de ser muito satisfatório”

No dia da apresentação do técnico Felipe Surian, o colunista esteve no CT do Morro do Meio para fazer alguns questionamentos ao trabalho do gerente de futebol do JECAgnello Gonçalves. Todos foram rebatidos pelo profissional que, à época, confiava na chegada do novo comandante para extrair mais do atual elenco – veja mais dos questionamentos aqui

Na ocasião, colunista e gerente concordavam que o ex-treinador, Zé Teodoro, não conseguia fazer a equipe render como poderia. No entanto, havia uma discordância em relação à qualidade do grupo. Agnello chegou a declarar que considerava seu trabalho “muito satisfatório”, algo do qual o colunista discordou, usando como exemplo o resultado dos concorrentes de menor investimento. A discussão tomou outros rumos, mas tudo está no link publicado acima.

Esta introdução serve apenas para que o torcedor entenda o contexto da avaliação que será feita a seguir. O objetivo não é dizer quem está certo ou errado. Aqui se farão críticas para que o Joinville possa aspirar um fim de ano melhor em comparação às últimas temporadas.

Seis jogos passaram desde então. Houve uma pequena (muito sutil) evolução tática, mas os problemas continuam os mesmos – defesa insegura, erros individuais, dificuldades nas laterais. A classificação também continuou a mesma no campeonato. Quando Surian chegou, o Joinville era o sétimo. Hoje, terminou o campeonato no mesmo sétimo lugar.

Claro que houve vitórias expressivas fora de casa diante de Chapecoense e Figueirense (independentemente das circunstâncias, elas são expressivas e ficarão marcadas na história dos clássicos). Mas foi também o período no qual o JEC não ganhou nenhuma partida em casa com o novo comandante, passou três sem fazer gol, sofreu três derrotas seguidas além de ter sofrido gol em cinco dos seis duelos.

Ah, mas o Joinville sonhou com a classificação até a penúltima rodada. Fato. Agora, o novo fato é que a campanha de 2019 é a pior desde 2007. Em comparação aos campeonatos do mesmo formato (2016, 2017, 2018), esta é a menor pontuação em 18 jogos e a pior classificação final. Em 2017, o JEC (quinto) ficou atrás do Brusque. Em 2018, outro quinto lugar, desta vez atrás do Tubarão. Neste ano, Marcílio Dias e Brusque ficaram à frente. O Tubarão, que ficou três pontos atrás, somou seis contra o Joinville no confronto direto.

No campo, na última partida, os contratados deram lugar para atletas da base. Na lateral direita, saiu um zagueiro (pois o lateral contratado perdeu espaço) para a entrada de Saile. Na ponta direita, Wellington Rato (outro contratado) foi substituído por Antony (também da base). Por fim, Nathan (um dos destaques do Joinville) deu lugar a Baianinho (outro da base).

No cálculo, resultados + perspectiva de futuro + desempenho dos atletas + opções para mudar um jogo, fica claro que o resultado, de maneira alguma, é “muito satisfatório”. O Joinville tem um elenco capenga apesar das 18 contratações de 2019, de resultados piores em comparação a outros anos e aos próprios concorrentes no Estadual e chega sob forte desconfiança no Campeonato Brasileiro da Série D – competição de tiro curtíssimo.

Há bons valores? Há. Jefferson é o incontestável. Bulhões está perto disso. Luan, Daltro, João Ananias, Caíque, Robert e Hugo Almeida oscilaram, mas podem ser úteis. São oito atletas. Os outros dez contratados não são confiáveis para a disputa da Série D. Se fossem, o clube não estaria se mobilizando para ir ao mercado com  tantas necessidades.

Trocar de treinador ajuda, sim, em vários casos. No entanto, é preciso ter material humano para extrair mais. O Criciúma está aí para provar isso. Gilson Kleina estreou na mesma rodada em que Felipe Surian fez sua estreia pelo JEC – na época, o Tigre era o sexto colocado. Neste período, Kleina ganhou quatro jogos, empatou um e perdeu apenas para o líder Avaí. Passou cinco dos seis jogos sem levar gol. Está na semifinal. Só que Kleina pôde extrair mais porque tem um elenco melhor à sua disposição. De quebra, está recebendo peças mais úteis.

No JEC, a troca era necessária, mas não houve nenhum reforço na era Surian. E o pior: se julgou que o trabalho até ali era “muito satisfatório”. A conclusão deste cenário descrito é que o gerente, no mínimo, exagerou nesta avaliação e precisa fazer uma autocrítica mais rigorosa. Se as coisas andam muito satisfatórias com tudo o que está acontecendo, o que será dito se algo pior (eliminação na primeira fase da Série D) acontecer.

O Joinville tem um mês para corrigir muita coisa. O Estadual deste ano serviu apenas para garantir calendário para 2020. De resto, o Tricolor tem uma base pequena para a sequência da temporada. Para assustar mais, será preciso correr o mesmo risco dos anos anteriores: contratar, contratar e contratar para ver se, na base da insistência, há acerto e melhores resultados.

Texto: Elton Carvalho
Imagem: Júlio César Ferreira, JEC

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